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Entrevistas

Entrevista – Daniele Ferraz

Entrevista – Daniele Ferraz

Uma das personalidades mais conhecidas no clube de um jeito que ninguém nunca viu. Nosso núcleo jornalístico foi atrás da colaboradora do F1BC para saber como é conciliar a vida pessoal às responsabilidades do clube, seus momentos mais emocionantes ao longo de quase duzentos e quarenta grandes prêmios e a nova missão de transmitir eventos oficiais.

Por André Neves

A piloto número 0 da 4Brothers Motorsport tem hoje uma opinião respeitada por todos que vivem no meio do esporte e não é por acaso. Em quatro anos de clube F1BC, Daniele Ferraz viveu momentos históricos e presenciou toda a evolução de um clube, que nasceu para abrigar um grupo de amigos e fãs de velocidade e que hoje é a marca mais forte no automobilismo virtual nacional. Não por acaso, ela foi escolhida para dividir com nossos leitores todos os momentos de sua carreira, desde o primeiro evento oficial às atuais transmissões esportivas, nos finais de semana. Dona de um respeitado cartel de resultados, ela está na 15ª posição do ranking geral do clube, entre todas as centenas de pilotos que já passaram por aqui nos quase seis anos do F1BC.

Natural do Rio de Janeiro, a carioca demonstra gratidão a sua equipe e muita responsabilidade ao falar sobre seu atual papel no clube. Estreando como câmera na temporada 2011/3, em uma etapa da GT Pro, mostrou muito jogo de cintura para levar quase uma hora e meia de transmissão ao vivo. Hoje, é responsável pelas imagens de qualidade que os espectadores tem acesso no clube F1BC. Além disso, Daniele tem o papel de manter sempre atualizados os números do ranking de pilotos do clube, tarefa importante e trabalhosa que consome vários dias de muita dedicação da colaboradora, ao final de cada temporada.

F1BC – Boa tarde Daniele, primeiramente gostaria de dizer que é um prazer receber uma pessoa tão influente no clube em nosso Lucky Dog.
Daniele Ferraz – Boa tarde André! O prazer é meu por estar aqui.

F1BC – Sua história no automobilismo virtual se iniciou junto do F1BC, quando o esporte ainda engatinhava, há quatro anos. Como você descreve o ambiente daquela época comparado ao atual?
DF – Quando iniciei no F1BC, no início de 2008, o clube era bem menor do que é atualmente. Hoje temos mais de 800 pilotos e 17 campenatos, enquanto em 2008 havia pouco mais de 50 pilotos e somente três campeonatos. Naturalmente, o número menor de pessoas faz com que todos se aproximem mais, o ambiente é mais intimista, todos se conhecem por ser uma comunidade pequena. Hoje em dia é mais difícil conhecer todo mundo, não há nem tempo hábil para isso! Já na organização do clube, o ambiente pra mim é o mesmo, tenho bom relacionamento com os membros da equipe e trabalhamos todos juntos em prol do F1BC. Em comparação com 2008, a forma como as decisões são tomadas e como o trabalho é feito, melhorou consideravelmente, pois há mais pessoas envolvidas, diretrizes a seguir e planejamento para todo o ano.

F1BC – Aproveitando o gancho da organização, nessa temporada você se tornou responsável pela geração das imagens de várias categorias, função que soma-se ao árduo trabalho de atualizar todo o ranking do clube ao final de cada temporada. Pode nos dizer a sensação de sua primeira transmissão e a maior dificuldade que encontrou?
DF – A primeira transmissão que fiz foi da GT Pro, na temporada passada, e posso dizer que foi muito legal apesar do pouco tempo que tive pra aprender tudo. Quando via de fora, achava que deveria ser um trabalho maçante, afinal, são quase duas horas que você precisa ficar de olhos atentos a tudo que acontece. De início achei que não conseguiria, pois eu sou muito inquieta, mas se eu consigo ficar cinquenta minutos correndo, poderia perfeitamente ficar o tempo necessário para fazer a transmissão. E é muito prazeroso acompanhar tudo que acontece na pista, controlar todas as câmeras para pegar os melhores ângulos, ver tudo o que rola bem de perto. Já sobre as dificuldades tenho basicamente duas: ficar sem ir ao banheiro e interagir com o pessoal. Sou péssima nisso (risos)!

F1BC – Realmente é uma tarefa difícil ficar sem ir ao banheiro (risos). Acumulando tantas funções importantes no maior clube de automobilismo virtual do país, gostaria de perguntar sobre a conciliação com sua vida pessoal. Qual é sua profissão e como consegue dividir o tempo?
DF – Trabalho em um escritório especializado em propriedade industrial e intelectual, registro de marcas e patentes, direito autoral, entre outras coisas. Consigo conciliar a minha função no F1BC me comprometendo somente com o que eu sei que conseguirei fazer. Atualmente, além do Ranking e das transmissões, também atualizo o site.

F1BC – Deixando de lado a parte administrativa da coisa, você é uma piloto que por anos esteve no Top 10 do F1BC e hoje ainda está em uma posição de honra em meio a centenas de pilotos. Você ainda se lembra de sua primeira corrida do clube?
DF – Com certeza! Lembro de cada uma, apesar de já ter participado de quase 240 corridas no clube. A primeira foi em Cleveland, pela categoria School, com carros da F1 de 2007 utilizando o F1 Challenge. Eram duas baterias, a Feature com 30 minutos e a Sprint com 15 minutos e grid invertido. Na primeira abandonei por pane seca, pois sou péssima pra calcular combustível (risos). Na Sprint cheguei em segundo, mas por conta de penalizações terminei um pouco mais atrás. Foi a primeira vez que corri de qualquer coisa, antes nunca tinha participado de nada e ainda corria de teclado!

F1BC – E ao longo dessas quase 240 corridas oficiais, gostaria de lhe dar a missão de escolher duas, sua melhor e sua pior corrida.
DF – Acho que a melhor seria a etapa de Long Beach, pela F1BC RT, em 2008, campeonato que fui vice-campeã. Larguei lá pra trás, rolou um acidente na largada e consegui escapar. Ultrapassei alguns carros até assumir a ponta. Foram 25 minutos de pura pressão, onde tive que forçar tudo pro segundo colocado não me alcançar (Michel Mendonça, campeão naquela temporada). Foi uma vitória suada, um misto de sorte com competência minha para não errar em momento algum. A pior corrida é difícil escolher, pois foram tantas ruins… Diria que foi a última que participei, em Ímola, pela F. Challenge. Larguei em sexto, assumi a ponta logo na terceira curva pra errar sozinha antes do fim da primeira volta. Cometi vários erros e terminei na última posição, se não me engano. Foi uma péssima prova depois de um péssimo dia que tive aquele domingo que certamente refletiu no meu desempenho em pista.

F1BC – Tanto tempo no clube, tantas corridas disputadas e boa parte delas defendendo a 4Brothers Motorsport. Equipe é essencial para um piloto se destacar?
DF – Atualmente, eu diria que sim. Um piloto pode até se destacar em algumas provas se tiver talento e um bom acerto, mas ter uma equipe dando suporte eleva muito mais as chances de sucesso, principalmente a longo prazo. Deve-se levar em consideração que vários aspectos das corridas são decididos em jogo de equipe, o que é totalmente aceitável desde que se corra sem ferir o regulamento, então ter pilotos correndo junto com você realmente faz muita diferença sim.

F1BC – Tomando como base sua opinião sobre o assunto, gostaria que comentasse o que as cores da 4Brothers representam para você e qual o momento mais marcante em sua história na equipe. Particularmente, um momento em que a ajuda de seus companheiros foi fundamental para decidir algum resultado.
DF – Nossa, a 4Brothes representa tanta coisa pra mim que fica difícil ser breve ao falar dela! Quando fui para a equipe estava passando por um período complicado, pensando até em parar de correr. Aí recebi o convite para correr com eles e fui junto com meu amigo Luth Cysne. De imediato, percebi que o ambiente era completamente diferente do que eu estava acostumada e tive muito receio de não ser aceita por eles. Afinal, é uma equipe onde todos são pilotos de ponta, talentosíssimos. Eu vivo brincando com eles dizendo que me chamaram pra preencher a cota de “newbies” do time! (risos)
Mas eles foram muito pacientes, me ensinaram tudo, como me comportar em uma corrida, estratégias, saber hora de arriscar ou de me preservar em pista, tudo em prol do resultado. Não posso dizer que fui uma ótima aluna, mas aprendi bastante com os ensinamentos deles. Tive vários momentos marcantes na equipe, um deles bastante especial, quando conquistei minha primeira e única vitória pelo time. Lembro que treinamos bastante (eu não gosto de treinar, mas eles vivem me incentivando a isso), eu, Mauricio, Bruno, a galera toda. Fizemos várias simulações, largadas, tudo que era possível pra preparação da corrida.
Era a Turismo Light com os carros Megane, notoriamente complicado de guiar, em uma pista mais ainda, Bathurst. Pois bem, larguei em segundo, assumi a ponta na terceira volta pra não mais perdê-la. Venci aquela prova e posso dizer que foi unicamente por causa dos meus amigos da 4Brothers. Esta é uma equipe muito especial e espero continuar nela para sempre.

F1BC – Preparada para o bate-bola, jogo rápido?
DF – Depende de quão rápido for, preciso ir ao toalete (risos).

F1BC – Nesse caso, acho que podemos interromper a entrevista, em caráter de urgência.
DF – Voltei. (risos)

F1BC – Certo, o melhor carro que pilotou?
DF – O que piloto atualmente, GP2 2011 da Formula Challenge.

F1BC – O pior?
DF – O carro utilizado na Turismo Classic, em 2010.

F1BC – O circuito mais emocionante?
DF – Bathurst, pela dificuldade que apresenta a cada curva.

F1BC – O circuito mais entediante?
DF – Tem vários, mas o que me vem à mente de imediato é o Yas Marina, em Abu Dhabi.

F1BC – Um exemplo no automobilismo virtual?
DF – Sem querer ser injusta com outros vários exemplos que tenho… Fabio do Carmo, por sua visão global do automobilismo. Ele pensa em absolutamente tudo, não deixa escapar um detalhe sequer!

F1BC – Sensação de receber a bandeirada na primeira posição?
DF – Alívio. Dever cumprido. Volta pra casa. São várias.

F1BC – O piloto mais difícil de ser ultrapassado?
DF – Pra mim todos são se eu não estiver em condições de ultrapassar e se eles estiverem em condições de se defender bem.

F1BC – Sua maior virtude e seu maior defeito dentro das pistas?
DF – Virtude, gostar de correr. Defeito, falta de concentração.

F1BC – Daniele Ferraz, quero agradecer muito pela entrevista. É realmente um prazer poder ter uma conversa tão extensa com uma pessoa como você. Desejo sucesso dentro e fora das pistas e gostaria que você deixasse um último recado para nossos amigos do clube.
DF – Eu que agradeço pela oportunidade André. Meu penúltimo recado (risos) é que todos aproveitem as corridas, com responsabilidade, respeito ao próximo e que acima de tudo, divirtam-se bastante.

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